sábado, 14 de março de 2015

Impeachment e a cultura da onda

Enquanto eu aguardava ser atendido para uma consulta de pronto socorro escuto:
- juro esse país está uma droga, temos que tira essa presidente logo...
- é verdade na época dos militares não era assim.
Durante uma conversa informal volta o assunto:
- você viu o quanto roubaram da Petrobras?! Essa mulher é uma bandida!
Ou durante um café:
- você vai ao protesto de domingo ? Não?! Porque ? Ela precisa sair da presidência!
O professor de ética da Universidade de São Paulo, Clóvis, defende que exista um espiral do silêncio, funciona mais ou menos assim: quando um determinado grupo expõem uma opinião contrária ao pensamento de uma minoria ou com força maior que os argumentos levantados a tendência é de que o grupo que não se enquadra em determinado pensamento fique calado. E de maneira que todos aqueles que não pensam como a maioria tendem a se falar diante da impossibilidade de argumentação.
Fiquei calado sobre esse assunto graças a minha preguiça de expor o que penso e rebater o que acho insensato. Mas como se aproxima da data e quero me posicionar peço desculpas aos meus amigos revoltosos e me volto ao tema para pensar e quem sabe entender e me fazer entendido!
Não sou partidário do PT, não votei na Dilma durante as eleições presidenciais de 2014, não sou a favor da corrupção e também estou indignado com esse processo que envolve a nossa maior estatal. Mas diante da campanha encabeçada por políticos duvidosas organizações, como o senador Aécio Neves, tenho que me opor. Derrubar a presidente Dilma seria ferir a democracia frágil e pitoresca que ainda estamos construindo. Seria um grande erro esse ato pelos seguintes motivos:
1- Quem assumiria o cargo de presidente seria seu Vice Michel Temer: Não tenho simpatia nenhuma com esse senhor. Acredito que minha simpatia não deva ser critério avaliativos. Mas como ponto de apoio uso o partido desse senhor. O PMDB é o partido mais oportunista que existe no país, graças a sua formulação de quadros ele consegue se infiltrar e ser argiloso em todas as grandes negociatas entre os poderes. É um câncer que necessita ser combatido! Aproveitadores do sistema político e conservadores da corrupção e compra de cargos.
2- Necessidade de um julgamento: todo e qualquer criminoso merece um julgamento justo e baseado em leis. Para um julgamento de uma presidente seria necessário um número satisfatório de provas, testemunhas e um julgamento cabível. Tirar a presidente da república
sem esses critérios seria como queimar a constituição.
3- Militares não resolveriam nosso problema: umas das soluções apontadas foi a intervenção militar, desculpem os defensores dessa medida, mas não vejo solução mais indecente que essa. Durante 21 anos vivemos sob o comando de presidentes eleitos por militares, censurados, com nossa moral e liberdade usurpada, a economia do país estava quebrada graças aos juros e empréstimos feitos com o FMI, além da inflação exorbitante, de cada mil crianças nascidas morriam mais de cento e vinte antes de completar um ano, as obras faraônicas nunca tinham seu real valor divulgado, os interesses individuais não eram respeitados. Só com essa carta de apresentação já teríamos motivos o suficiente para não aceitar uma intervenção militar como solução.
4- Necessidade de reforma política: o que realmente precisamos para o país não é um impeachment, e sim uma reforma política, de forma que as campanhas e os seus financiamentos sejam regulamentados, que os políticos cumpram com as leis de responsabilidade fiscal e que a democracia seja garantida. Da maneira que está é apenas mais do mesmo, o jogo de poder...
5- Manipulação da mídia: existe por de trás dessa campanha uma grande manipulação dos grandes meios de comunicação do país, onde o objetivo é obscuro e intangível. Precisamos entender a quem esse jogo interessa e assim formularmos nossa opinião.
O nosso problema é que somos sempre adeptos a "cultura da onda". Somos levados sem nem mesmo perceber os motivos ou motivações. Isso acontece a todo instante, é assim no transito, na fila do banco, nos relacionamentos e na politica. A velha máxima que impera no Brasil: "futebol, política e religião não se discute, gera atraso e distúrbios no conceito de política.

Como sempre minha opinião não é maioria, mas deixo aqui para que você possa pensar e questionar também!


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