Fazem alguns meses que
pretendo falar desse tema. O que irei tratar não é algo novo, pelo contrário,
faz parte de nosso cotidiano e estamos inteirados com o assunto. O termo gourmet vem se tornando cada vez mais
popular em diversos lugares, inicialmente ele era utilizado apenas para
classificar algum tipo de comida, bebida, algo que fosse extremamente bem
elaborado para expectadores que tivesse uma grande exigência com relação ao paladar,
olfato e visual do prato.
Hoje percebo que o termo Gourmet tem se tornado cada vez
mais comum em diversas áreas e locais, temos coxinha gourmet, bar gourmet,
hambúrguer gourmet, salada gourmet, maionese gourmet, pastel gourmet, sorvete
gourmet, pizza gourmet... a lista é inacabável. Mas o “selo” gourmet foi além e
nossa sociedade precisa de mais, não ficamos satisfeitos em ter apenas a comida
gourmet e agregamos o valor que foi atribuído a culinária gourmet para todas as
áreas de nossa vida, como se tudo que possuímos ou que gostamos ou que
consumimos se tornasse de uma hora para outra gourmet. Pensem os apartamentos
precisam ter a tal da sacada gourmet, pois sem ela, ele é apenas mais um
apartamento popular. O shopping não pode ter aquele antigo apelo popular uma
vez que temos os novos espaços para compras, pensados e elaborados com o mais
alto padrão de qualidade para transforma sua experiência de compras em única.
Os bares e restaurantes precisam se desvincular daquela visão pitoresca e
arcaica de mesas, cadeiras e pratos, o atendimento, a decoração e até mesmo o
banheiro do lugar precisa estar em ordem com a proposta. O nosso futebol esta
cada dia mais gourmet, vale lembra que as novas arenas buscam mais do que a
simples experiência de assistir uma partida de futebol, elas oferecem aos seus
expectadores uma experiência única e um espetáculo completo.
Agora você deve estar
pensando, “ta, e dai? Você é contra tudo isso? Prefere como era antes?” Não
nada disso. É fato que quando elevamos o padrão das coisas a consequência é
quase sempre o aumento imediato do valor de acesso a isso. Olhe por exemplo o
caso do nosso futebol, o torcedor deixa espaço para o expectador, e este paga
varo para ver o espetáculo, e esse é o movimento que causa o raio gurmetizador,
um bolo de fubá cremoso feito em casa e com um sabor parecido com aquele bolo
de fubá cremoso gourmet é inúmeras vezes mais barato. Porém tudo isso não tem
muita importância para nós, pois não pagamos pelo produto, estamos pagando pela
experiência que esse produto esta nos proporcionando. Meu medo começa quando
começo a observar que o raio gourmetizador começa a atingir nossas igrejas, hoje
é comum vermos igrejas com fundos pretos, equipamentos de iluminação,
reprodução de imagens e lazer durante o louvor, ar condicionado, apelo de
espetáculo e pompa de arte, a figura de um pastor descolado e jovial, pregando
uma palavra para espectadores. Tudo isso dentro de uma proposta de evangelho
que busca a satisfação do indivíduo em primeiro lugar, pessoas que entram com
um ideal de igreja e saem com a realização desse ideal. Um evangelho neutro,
equilibrado, sem exagero, de fácil entendimento, limpo, bonito de se ver,
simples de pregar. Sem vida, sem amor, sem interação, sem sangue e cruz, o
sofrimento de Jesus é bonitinho, mas fica isolado a datas como o natal e a
pascoa, Apocalipse é um livro estranho da bíblia como aqueles que nós
ignoramos, Rute, Cantares, Amós, Obadias... O lema é amor pelas almas, mas
esquecem do amor por Cristo, aliás esse Cristo é bom para compor o slogam da
igreja mas ele não orna com igreja gourmet.
