segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
Os Valdenses: defesa da fé cristã e o legado para nossa caminhada na fé!
"Se há um homem honesto, que deseja amar a Deus e reverenciar Jesus Cristo, que não faça calúnia, nem jure, nem minta, nem comete adultério, nem mata, nem rouba, nem se vinga de seus inimigos, eles num instante dizem que ele é um valdense e digno de morte"
Imagine uma igreja íntegra, fundamentada na palavra de Deus, com membros conhecidos por seu caráter irrepreensível, pelo seu amor ao nome de Deus e ao sacrifício de Cristo! Pois bem, esse era o testemunho que os Valdenses apresentaram diante da sociedade medieval. Bem provavelmente você nunca tenha ouvido falar desse povo de Cristo, e assim como para mim, a luta e o legado deixado por esses primitivos na fé e precursores do movimento protestante na Europa deve ter passado despercebido. Não é meu objetivo fazer uma resenha teológica sobre o povo de Piermont, que desafiou papas e exércitos em nome da fé, minha proposta é mostrar alguns legados deixados por esses amados para nossos dias atuais.
A Europa iniciava um processo conhecido como Idade Média ou Idade das Trevas, a religião oficial do império romana se tornara o Cristianismo e assim como em outras religiões todo esforço de manter a integridade do cristianismo católico era justificado. Com o passar dos alguns dogmas e práticas foram comuns a igreja católica. Nesse período algumas práticas pagãs foram introduzidas na igreja,como uma tentativa de aproximação dos povos dominados. Diante disso a comunidade conhecida como “Valdense”, que habitava o norte da Itália divisa com a França, tomam uma postura inédita, resolvem dizer não as práticas antibíblicas da igreja, não reconhecem a autoridade do papa, são contra a ideia de que existiria um purgatório e que os crentes deveriam fazer cruzadas. Também afirmavam que a água benta nada tinha de santa e que as relíquias não passavam de ossos de desconhecidos. Essa postura de um pequeno povo foi à precursora de um movimento conhecido como ‘Reforma Protestante’, porém mais que isso foi a manutenção do que conhecemos como evangelho pleno e simples. Em um mundo em que ser cristãos era ostentação e poder, eles pregavam amor e abdicação do TER e do SER!
Outro ponto de destaque entre os Valdenses é o estudo da palavra de Deus. Não haveria veracidade em seus questionamentos às praticas católicas, se não houvesse base para isso. A igreja católica não permitia livre acesso às escrituras, apenas algumas pessoas tinham acesso, ainda assim de maneira limitada e com a necessidade de um conhecimento prévio de latim. O povo Valdense investia no conhecimento (veja o vídeo relacionado e entenda melhor como eram as escolas teológicas), criava escolas para os jovens. Desta maneira a palavra de Deus era incutida no coração de meninos e meninas que levaram consigo a palavra de Deus, o testemunho de devoção e de combate a
tudo o que não condizia com o cristianismo. Alguns estudos mostram que eles tinham sua própria tradução do novo testamento com volumes pequenos e portáteis.
E a politica? Alguns leigos consideram politica como algo do demônio, e que isso não faz parte da vida em Cristo. Mas o que vemos na bíblia e na vida dos Valdenses é uma conectividade constante entre vida espiritual e politica. Eles se dividiam em distritos e em cada distrito era instituído um pastor, do qual era responsável por cuidar das ovelhas, ministrar, visitar os enfermos e ensinar aos jovens. Parece o básico não é?! Pois bem, mas atualmente existem muitos pastores que estão terceirizando esse contato com os “leigos”, os que realmente dão sentido a sua vocação. Forte isso?! Não, é apenas a verdade. Os Valdenses se reuniam nas montanhas dos Alpes todos os anos para decidir em conjunto as ações tomadas. Os pastores de cada distrito eram convocados, leigos ou ovelhas também e tinham sua palavra garantida na reunião. Não havia patentes ou cargos, muito menos divisões nestas reuniões, a palavra de um leigo valia o mesmo que a de um pastor.
As táticas missionárias desse povo também nos ensina uma grande lição. Todos os jovens aprendiam e decoravam a Bíblia, pois mesmo se não tivessem um exemplar em mãos saberiam muito bem como argumentar sua fé! Os jovens pastores aprendiam com os mais velhos, era um contato direto e por anos eles aprendiam o verdadeiro evangelho. Após essa formação eles eram encorajados a ir para grandes cidades como Lion, Paris, Lombardia e Sorbonne, onde ampliavam seus horizontes e faziam suas primeiras experiências missionárias. Muitos deles eram enviados a reinos vizinhos, não como missionários, mas com outras profissões assim eram bem aceitos entre nobres e plebeus. A palavra de Deus era pregada da mesma maneira por duplas que tinham convicção de sua fé.
Diante disso fica o legado desse povo, mas além do legado fica a inspiração para aceitar os desafios do nosso tempo e permanecer intactos na fé de Cristo nosso Senhor. Durante quatrocentos anos esse povo foi referência em sua sociedade e entre seus inimigos. Mas o maior legado deixado a nós é que não existiu um Valdense, mas sim um povo que amava a Deus mais do que o mundo.
Fontes:
Discernimento Bíblico: http://www.discernimentobiblico.net/A%20HIST%D3RIA%20DOS%20VALDENSES.html
A Igreja Primitiva:
http://www.aigrejaprimitiva.com/osvaldenses.html
Documentário: “A Reforma Protestante, Resgatando a nossa história – Vol. III”
https://www.youtube.com/watch?v=s5p0acBtM1I
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