quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Estados Totalitários e o Brasil de Bolsonaro

Recentemente o debate em torno das liberdades individuais e da democracia tem ganhado força. As ações políticas de determinados sujeitos nas eleições de 2018 tiveram como eixo principal a representatividade coletiva em torno do ideias e principalmente ideologias. O combate as esquerdas tomaram coro e concordância massificada com o combate a corrupção. De fato a junção dessas ideias por si não são novidade no Brasil, as mentes mais aguçadas se lembrarão do famoso “varre-varre vassourinha” de Jânio Quadros, sua marchinha propositalmente o colocava como a esperança de um povo abandonado, se utilizando de uma figura tão comum nos lares brasileiros, Jânio, representava o contra corrupção dos políticos de fala mansa e mãos rápidas. Sua falta de articulação e apoio o levaram a um dos momentos políticos mais constrangedores do Brasil, uma renúncia, carregada incógnitas e construções equivocadas da realidade política do Brasil. O resultado desse processo foi um impasse político que quase nos levou a iminência de uma guerra civil e a conclusão de um golpe Civil Militar em 1964. 
O que podemos pontuar de diferente na conjuntura de 1960 e na atual situação política e econômica do Brasil? Acredito que para responder a essa pergunta seria necessário avaliar os escritos de Hannah Arendt, filósofa de origem judia e exilada nos EUA, Ardent buscou analisar os governos totalitárias utilizando por base a construção histórica que levou a sua “legitimação”. De inícios podemos pontuar que no século XX, esses regimes totalitários se justificavam por meio da história como no caso da URSS ou por meio da biologia, como no caso do nazismo. Cada regime teve por ponto principal um discurso voltado para ideologização das massas como homogêneas, isolando seus indivíduos, Arendt busca diferenciar o isolamento da solidão, para ela no primeiro caso os sujeitos são privados de estabelecerem uma comunicação consciente sobre suas situações, reforçando sempre o caráter coletivista de forma que suas individualidades são limitadas, para ela, ao se tornar parte da massa o indivíduo perde o interesse em suas próprias necessidades. 
No que diz respeito a legitimidade, Arendt nos traz a reflexão que os regimes se solidifica transformando o que antes era de todas as formas repugnantes em atos comuns, como por exemplo a banalização da violência, de forma que esta seja justificada pela necessidade de legitimação do Estado. Todas as formas de Estado buscam determinadas legitimidades,  Estados republicanos o princípio básico é a representatividade, em uma monarquia o princípio básico é a linhagem, em um despotismo o princípio é o medo, em um Estado Totalitário, a legitimidade está ligada ao terror. O nazismo utilizava o terror da mistura de raças, o inimigo vermelho e as memórias da primeira guerra, criando assim um contexto de terror, onde apenas um líder que não recuasse e não tivesse feição de medo poderia enfrentar. Neste sentido o nazismo praticava essa concepção de terror neutralizando seus inimigos,  ou seja, estava em constante movimento de expansão, com sua máquina de terror. 

Encontramos aqui, uma necessidade de todos os regimes totalitários, reduzir a concepção ideológica de Estado ao poder executivo e a figura ilibada do grande líder, o culto a persona, quase que em uma transfiguração divina de alguém incorruptível pode ser muito bem percebida nas eleições de 2018. A mobilização das classes médias urbanas em favor de um projeto de Estado voltado para uma concepção purista e messiânica, a guerra constante contra as ideologias degeneradas, que atentam contra a família, são marcas visíveis do nosso totalitarismo tupiniquim. Com certeza você deve achar exagero de minha parte, e isso é um bom  sinal, entretanto ao aproximarmos nossas lentes para as massas defensoras desse estado de coisas que estamos vivendo, percebemos que não se trata de política por ela mesma, se trata de movimento de constantes avanços em testes, orquestrados e com a "
capa" de desorganização. O que verificamos na prática é uma tentativa de desmontes dos poderes do Estado de direito, de forma que seus protagonistas abrem mão de sua individualidade na defesa de uma governabilidade. É mais que necessários que as instituições democráticas sejam reforçadas, que suas ações sejam cada vez mais pautadas em seus papéis institucionais. Só assim evitaremos desastres políticos desnecessários, como a situação insustentável que vive o Ceará, onde milicianos tomam fingem uma legitimidade inexistente, fazem de refém os cidadãos. É mais que necessário uma repreensão institucional que coloque fim as falas insanas de um presidente que banaliza os bons costumes, a cordialidade e o decoro do cargo. e finalmente é preciso uma investigação séria que tire todo o resquício de dúvida em casos que envolvam as autoridades e a morte de milicianos.  

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