segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Igrejas Gourmet




Fazem alguns meses que pretendo falar desse tema. O que irei tratar não é algo novo, pelo contrário, faz parte de nosso cotidiano e estamos inteirados com o assunto. O termo gourmet vem se tornando cada vez mais popular em diversos lugares, inicialmente ele era utilizado apenas para classificar algum tipo de comida, bebida, algo que fosse extremamente bem elaborado para expectadores que tivesse uma grande exigência com relação ao paladar, olfato e visual do prato.
            Hoje percebo que o termo Gourmet tem se tornado cada vez mais comum em diversas áreas e locais, temos coxinha gourmet, bar gourmet, hambúrguer gourmet, salada gourmet, maionese gourmet, pastel gourmet, sorvete gourmet, pizza gourmet... a lista é inacabável. Mas o “selo” gourmet foi além e nossa sociedade precisa de mais, não ficamos satisfeitos em ter apenas a comida gourmet e agregamos o valor que foi atribuído a culinária gourmet para todas as áreas de nossa vida, como se tudo que possuímos ou que gostamos ou que consumimos se tornasse de uma hora para outra gourmet. Pensem os apartamentos precisam ter a tal da sacada gourmet, pois sem ela, ele é apenas mais um apartamento popular. O shopping não pode ter aquele antigo apelo popular uma vez que temos os novos espaços para compras, pensados e elaborados com o mais alto padrão de qualidade para transforma sua experiência de compras em única. Os bares e restaurantes precisam se desvincular daquela visão pitoresca e arcaica de mesas, cadeiras e pratos, o atendimento, a decoração e até mesmo o banheiro do lugar precisa estar em ordem com a proposta. O nosso futebol esta cada dia mais gourmet, vale lembra que as novas arenas buscam mais do que a simples experiência de assistir uma partida de futebol, elas oferecem aos seus expectadores uma experiência única e um espetáculo completo. 
Agora você deve estar pensando, “ta, e dai? Você é contra tudo isso? Prefere como era antes?” Não nada disso. É fato que quando elevamos o padrão das coisas a consequência é quase sempre o aumento imediato do valor de acesso a isso. Olhe por exemplo o caso do nosso futebol, o torcedor deixa espaço para o expectador, e este paga varo para ver o espetáculo, e esse é o movimento que causa o raio gurmetizador, um bolo de fubá cremoso feito em casa e com um sabor parecido com aquele bolo de fubá cremoso gourmet é inúmeras vezes mais barato. Porém tudo isso não tem muita importância para nós, pois não pagamos pelo produto, estamos pagando pela experiência que esse produto esta nos proporcionando. Meu medo começa quando começo a observar que o raio gourmetizador começa a atingir nossas igrejas, hoje é comum vermos igrejas com fundos pretos, equipamentos de iluminação, reprodução de imagens e lazer durante o louvor, ar condicionado, apelo de espetáculo e pompa de arte, a figura de um pastor descolado e jovial, pregando uma palavra para espectadores. Tudo isso dentro de uma proposta de evangelho que busca a satisfação do indivíduo em primeiro lugar, pessoas que entram com um ideal de igreja e saem com a realização desse ideal. Um evangelho neutro, equilibrado, sem exagero, de fácil entendimento, limpo, bonito de se ver, simples de pregar. Sem vida, sem amor, sem interação, sem sangue e cruz, o sofrimento de Jesus é bonitinho, mas fica isolado a datas como o natal e a pascoa, Apocalipse é um livro estranho da bíblia como aqueles que nós ignoramos, Rute, Cantares, Amós, Obadias... O lema é amor pelas almas, mas esquecem do amor por Cristo, aliás esse Cristo é bom para compor o slogam da igreja mas ele não orna com igreja gourmet. 

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