terça-feira, 8 de setembro de 2015

Pátria aRmada Brasil. 7 de setembro e o engano da democracia militarizada, 200 anos tentando descobrir o que é a democracia.


Essa semana eu tive a oportunidade de participar de um ato público em comemoração ao 7 de setembro. Na escola em que trabalho, os alunos ensaiaram por meses a Banda Fanfarra e as coreografias das balizas, e prepararam cartazes comemorando a tão emblemática data. Tudo muito bonito, organizado e bem trabalhado. E justamente neste contexto que a cerimônia teve inicio, Hino Nacional, Hino da Independência e o Hino da Cidade. Logo após entraram em cena para discursar o Secretário Municipal da Educação e uma série de outras autoridades.  Mas o que me impressionou foi a homenagem de um jovem de pouco mais de dezoito anos às autoridades presentes, e a apresentação de armas com marcha do Exército, Polícia Militar e a Guarda Municipal. Tudo muito bem organizado e bonito. 
Mas fazendo um paralelo, eu começo a observar que os civis foram os últimos a passarem no cortejo. E então surgiu minha indagação...o que o 7 de setembro representa para nós?
Vamos para o começo da história. Após 1808 (ano da chegada da Corte portuguesa ao Brasil), a maior colônia portuguesa nunca mais foi a mesma. Houve grandes transformações, implantação de faculdades e bancos, abertura de portos e comercio, e um grande desenvolvimento urbano. Tudo isso para adequar o Brasil aos padrões dos nobres europeus que mudaram para cá. Quando D. João resolveu retornar a Portugal, quase que compulsoriamente, ele deixou seu filho D. Pedro no Brasil, que deveria ser o representante da extensão da Corte portuguesa no Brasil. O fato é que D. Pedro, influenciado pela Inglaterra e por um grupo de comerciantes brasileiros e portugueses que tinham interesses no Brasil, resolveu tomar medidas populares aos Brasileiros, e impopulares aos portugueses e a igreja católica. Todo esse processo vai ter seu ponto de explosão no ano de 1822, na viagem de D. Pedro à São Paulo, que apesar de não ter a importância de hoje era um entreposto comercial e rota de passagem para destinos como Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso. O bairro do Ipiranga na cidade de São Paulo não existia, mas o riacho que passava por ali era importante para alguns agricultores que residiam na região, e foi esse riacho que serviu de plano de fundo para o “grito” tão famoso de D. Pedro. Antes desse afamado ato, ele já havia sinalizado no “Dia do Fico” que possivelmente isso poderia acontecer. A independência de Portugal só aconteceu mesmo após 1826, quando os portugueses reconheceram o Brasil como uma nação independente e assim finalizando um processo de independência e iniciando outro de dependência, mas agora de outra nação, a Inglaterra.  

Anos se passaram e ainda somos uma nação que não entendeu o sentido dessa palavra “independência”. Nossa comemoração é marcada por símbolos militares, com armas e salvas de guerra. Pouco avançou no quesito democracia, saímos do julgo português e entramos no julgo da família de Bragança, que perdurou até 1889 e ainda existem pessoas adeptas as ideias de que o sangue vale mais que o direito. Outros transformam essa data em palanque político, do qual só se defende os interesses de uma minoria. Alguns vivem atrasados no tempo, defendendo uma data com viés militarizado, com juras as armas e ideias de combate como forma de patriotismo. O que deveria ser o 7 de setembro? Deveria ser uma data singular, representante de um sentimento de pertencimento de um povo, onde os ideias políticos e as orientações partidárias fossem colocadas de lado. Onde o povo demonstra mais interessado do que o militar, onde as salvas e honras deveriam ser destinadas ao povo e não a autoridades de farda ou representantes de cargos. Temos que reinventar o 7 de setembro e transformar em uma data comemorativa, sem desfiles de carro oficiais,  e sim da sociedade civil!  

D.João VI

Quadro de Pedro Américo feito em 1888, é uma reprodução do "ideal da independência", longe do que realmente aconteceu.  

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