Essa
semana eu tive a oportunidade de participar de um ato público em comemoração ao
7 de setembro. Na escola em que trabalho, os alunos ensaiaram por meses a Banda
Fanfarra e as coreografias das balizas, e prepararam cartazes comemorando a tão
emblemática data. Tudo muito bonito, organizado e bem trabalhado. E justamente
neste contexto que a cerimônia teve inicio, Hino Nacional, Hino da Independência
e o Hino da Cidade. Logo após entraram em cena para discursar o Secretário
Municipal da Educação e uma série de outras autoridades. Mas o que me impressionou foi a homenagem de
um jovem de pouco mais de dezoito anos às autoridades presentes, e a apresentação
de armas com marcha do Exército, Polícia Militar e a Guarda Municipal. Tudo
muito bem organizado e bonito.
Mas
fazendo um paralelo, eu começo a observar que os civis foram os últimos a
passarem no cortejo. E então surgiu minha indagação...o que o 7 de setembro representa
para nós?
Vamos para
o começo da história. Após 1808 (ano da chegada da Corte portuguesa ao Brasil),
a maior colônia portuguesa nunca mais foi a mesma. Houve grandes
transformações, implantação de faculdades e bancos, abertura de portos e
comercio, e um grande desenvolvimento urbano. Tudo isso para adequar o Brasil
aos padrões dos nobres europeus que mudaram para cá. Quando D. João resolveu
retornar a Portugal, quase que compulsoriamente, ele deixou seu filho D. Pedro
no Brasil, que deveria ser o representante da extensão da Corte portuguesa no
Brasil. O fato é que D. Pedro, influenciado pela Inglaterra e por um grupo de
comerciantes brasileiros e portugueses que tinham interesses no Brasil, resolveu
tomar medidas populares aos Brasileiros, e impopulares aos portugueses e a
igreja católica. Todo esse processo vai ter seu ponto de explosão no ano de
1822, na viagem de D. Pedro à São Paulo, que apesar de não ter a importância de
hoje era um entreposto comercial e rota de passagem para destinos como Minas
Gerais, Paraná e Mato Grosso. O bairro do Ipiranga na cidade de São Paulo não
existia, mas o riacho que passava por ali era importante para alguns
agricultores que residiam na região, e foi esse riacho que serviu de plano de
fundo para o “grito” tão famoso de D. Pedro. Antes desse afamado ato, ele já
havia sinalizado no “Dia do Fico” que possivelmente isso poderia acontecer. A
independência de Portugal só aconteceu mesmo após 1826, quando os portugueses
reconheceram o Brasil como uma nação independente e assim finalizando um
processo de independência e iniciando outro de dependência, mas agora de outra
nação, a Inglaterra.
Anos
se passaram e ainda somos uma nação que não entendeu o sentido dessa palavra
“independência”. Nossa comemoração é marcada por símbolos militares, com armas
e salvas de guerra. Pouco avançou no quesito democracia, saímos do julgo
português e entramos no julgo da família de Bragança, que perdurou até 1889 e
ainda existem pessoas adeptas as ideias de que o sangue vale mais que o
direito. Outros transformam essa data em palanque político, do qual só se
defende os interesses de uma minoria. Alguns vivem atrasados no tempo,
defendendo uma data com viés militarizado, com juras as armas e ideias de
combate como forma de patriotismo. O que deveria ser o 7 de setembro? Deveria
ser uma data singular, representante de um sentimento de pertencimento de um
povo, onde os ideias políticos e as orientações partidárias fossem colocadas de
lado. Onde o povo demonstra mais interessado do que o militar, onde as salvas e
honras deveriam ser destinadas ao povo e não a autoridades de farda ou
representantes de cargos. Temos que reinventar o 7 de setembro e transformar em
uma data comemorativa, sem desfiles de carro oficiais, e sim da sociedade civil!
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| D.João VI |
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| Quadro de Pedro Américo feito em 1888, é uma reprodução do "ideal da independência", longe do que realmente aconteceu. |


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